Gravei o Podcast. Mas Primeiro, Me Ajuda a Entender Uma Coisa.

Ontem gravei um episódio do Quiero un Panino con Cheese com a Gaia Striano, e olha, se você ainda não conhece o programa dela, já vai lá que vale muito a pena. Confia em mim.

Quando o episódio sair, vocês são os primeiros a saber, prometo.

Mas enquanto isso não acontece, preciso falar sobre uma coisa que surgiu durante a gravação e que simplesmente não sai da minha cabeça desde então.

Quatro países depois, eu sempre acabo chegando na mesma pergunta: mas por que você se muda tanto assim?

E aí eu dei a resposta honesta.

A vida ficou fácil demais e a gente vive atrás de uma adrenalina.

No segundo que saiu da minha boca eu pensei, é, isso soa exatamente tão maluco quanto parece. Não que alguém tenha reagido mal, não foi isso. Foi mais aquela sensação de que falar em voz alta era o mesmo que admitir um vício esquisito que você nem sabe muito bem como justificar. O que é verdade. Mas também não é uma explicação muito boa, né.

Então deixa eu tentar de novo.

Eu não fumo, não bebo, e não faço esportes radicais.

Apanhar da vida em outro país? Esse é o meu vício.

Aquela borboleta no estômago quando você chama de lar um lugar com ruas que você nunca pisou, uma língua que talvez você nunca tenha falado, pessoas que você nunca conheceu, uma cultura que vira e mexe a sua cabeça de maneiras que você não sabia que eram possíveis, e uma burocracia que é um quebra-cabeça que você não pediu mas que de alguma forma não consegue largar.

Author Jessica Gabrielzyk at the Quire un Panino con Cheese podcast

É um pouco doloroso, é ocasionalmente frustrante, é o tipo de coisa que te obriga a questionar tudo o que você achava que sabia sobre si mesma, sobre o mundo e sobre o que é normal. E mesmo assim eu sou completamente viciada nisso, entende?

Não sei explicar esse negócio sem parecer irresponsável. Lutar pela minha vida num cenário diferente é a definição mais próxima que encontrei, mas mesmo essa soa como algo que você estampa numa camiseta em vez de algo que você realmente vive no corpo.

A sensação de chegar num lugar completamente desconhecido e ter que descobrir como existir ali, do zero, sem mapa, sem conhecidos, sem saber direito as regras do jogo, essa sensação não tem como fabricar em nenhum outro lugar. Não com adrenalina artificial. Não com rotina. A única coisa que produz isso é realmente se jogar de cabeça.

Por isso continuo mergulhando.

Talvez seja exatamente isso que o scorecard herdado nunca levou em conta, sabe? Ele me disse como o sucesso deveria parecer, como a estabilidade deveria parecer, como uma boa vida deveria parecer. Mas ele não tinha uma categoria pra pessoa que constrói tudo isso, olha ao redor, e percebe que precisa deixar pra trás e começar do zero só pra se sentir viva de novo.

Ainda estou procurando uma maneira melhor de explicar. Se você já se mudou de país mais de uma vez e conhece exatamente essa coceira que não passa, me conta nos comentários: como você explica isso pras pessoas?

O podcast já vem aí. Vocês são os primeiros a saber. 💛

Jessica Gabrielzyk

Jessica Gabrielzyk

Jessica Gabrielzyk is a Brazilian writer living in Switzerland. She moved there with her husband and daughter, who was three months old at the time and had strong opinions about the whole thing even then.

She writes about change.

The visible kind and the kind that happens inside a person, while everything on the outside looks fine.

Her first book, Maternity Abroad, explored what it means to become a mother far from the system you trusted. It has reached readers in more than fifteen countries across five continents. Parenting Unpacked, her second book, follows the experience of parenting through major life disruption, whether that's an international move, a career loss, a new baby, or a life that simply stops responding the way it used to. My First American Coloring Book was created to help toddlers engage with daily life in the United States through play and familiar imagery.

She is a member of SIETAR, the Society for Intercultural Education, Training and Research, and the International Academy of Brazilian Literature.

She writes for the parent who is still inside it, getting through the day, and wondering somewhere underneath all of it who they are becoming.

When she is not writing, she is walking forty minutes uphill with a stroller, telling herself the exercise is the point.

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Aquela Careta que Eu Nunca Esqueci.